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A vila flutuante de Chong Khneas

Floating lives, drifting across the waters of Tonlé Sap – one of the largest lakes of South-East Asia. On it, the village of Chong Khneas, where structures of bamboo are both home and boat.

More than five thousand people live here – the majority children – squashed into nearly two thousand hovels which float on the surface. The space is divided among Cambodians and Vietnamese, who share the common difficulty of living on – on average – the equivalent of less than one hundred dollars a month.

In Chong Khneas survival depends on fishing. Tonlé Sap has an almost unparalleled biodiversity, with hundreds of species of fish. More than half of all fish production in Cambodia comes from here. Such abundance, however, does not always guarantee a livelihood for the inhabitants of this remote area. “We can feed ourselves, but it’s difficult to do much more than that”, a fisherman told me. The nearest market is about 20 Km from the lake, and to these people gasoline is almost a luxury.

There are only two schools, run by foreign missionaries living in the region. Moreover, not all the children can study anyway. Many simply help their parents fishing or working in small family workshops. “You see these boys playing in the water?”, one of my hosts asked me. “They don’t yet know they have only two options in the future: either becoming fishermen, with the same hard life their parents suffer; or becoming beggars, hoping  for spare change from the few travelers, who, just like you, visit our village in the rainy season.”

On the surface of the waters, shifting reflections. And over the twisted bamboo, an uncertain destiny.

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Camboja: estrada para Siem Reap

“Nosso povo está na pobreza porque nosso governo nos mantém na pobreza”, disse-me Chak, um dos poucos cambojanos que falavam inglês ao longo da Estrada Nacional 5 – caminho que liga Poipet (cidade que faz fronteira com a Tailândia) a Siem Reap (cidade no interior do Camboja, próxima aos templos de Angkor).

Visitar o Camboja é uma experiência desconcertante. Ao forasteiro, não há muito a fazer a não ser comover-se com uma inevitável estetização da pobreza. A miséria se torna vitrine, evidenciando as cicatrizes de um país cuja história recente se traduz em sofrimento e dominação.

As terras férteis desta planície verde, banhada pela bacia do rio Mekong, já foram morada do império Khmer (pronuncia-se ‘kmae’) – que, entre os séculos IX e XV, dominou boa parte do sudeste asiático. Mas a bem-aventurança de outrora não tardou a se esmaecer. No século XVI, o império via-se em decadência, pressionado a oeste pelos tailandeses e a leste pelos irredutíveis vietnamitas. A partir de então, invasões se tornaram rotina, e o pujante império Khmer reduzia-se a um território vulnerável e frágil. Assim se iniciou uma nova história no atual Camboja, uma era de infortúnios e decadências.

No século XIX foi a vez da França. Movida pela ganância europeia de dominação para o além-mar, a nação viu no Camboja alvo fácil para a típica exploração dos mais fracos – colonizando-os via diplomacia e roubando-lhes as poucas riquezas que ainda restavam.

Para esta terra de contradições – um povo de felicidade efusiva, não obstante a pobreza –, o século XX não foi menos inclemente. Na década de 1960 o Camboja conquistou sua independência da França. Mas, em pouco tempo, um golpe de estado seria o inicio um período sangrento – com direito a um dos maiores genocídios da história asiática.

Líderes sanguinários do Khmer Vermelho (partido pseudo-comununista que, na década de 1970, assumiu o poder via golpe) foram responsáveis pelo extermínio de pelo menos dois milhões de pessoas. Foi um dos maiores massacres de nossa história recente, em termos proporcionais – já que, de 1975 a 1979, nada menos que 25% da população do país foi executada.

Hoje o Camboja é uma monarquia constitucional. Os tempos de sangue parecem ter se acabado, mas as cicatrizes de pobreza e desilusão permanecem nas faces de cada cambojano. O mais incrível é que, mesmo sendo herdeiros de uma historia tão triste, esse povo nos emociona e encanta com seu adorável carisma! Chak, meu novo amigo khmer, não hesita em dizer: “Já nos roubaram de tudo. Mas jamais roubarão nossa alegria e nossos sorrisos.”

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