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Desventura em Manila: incêndio no hotel

INCÊNDIO NO 15º ANDAR | Era tarde da noite em Manila, capital cinzenta das Filipinas, quando soou o alarme de fogo no A. Avenue – hotelzinho maneiro no bem cotado bairro Makati City. Assustado, saí às pressas do apartamento 1006, onde, há poucos instantes, eu me aninhava para dormir – imaginando, em vão, que teria uma noite aprazível. Mas, de pijama e sandálias, sou obrigado a evacuar o quarto, ameaçado pelo perigo iminente de um inesperado incêndio num andar superior. Procuro a saída de emergência, em meio a uma onipresente fumaça que em momento algum dava trégua. Graças ao tato – e à sorte – encontro as escadas. Desço um caminho escuro, tropeçando nos incertos degraus que delineavam a única via possível em direção à saída. Atrás de mim, uma horda de hóspedes desesperados, gritando em pânico e esbravejando suas aflições – como se o medo fosse o caminho da redenção (eu, por algum motivo, mantive-me em paz, tranqüilo). Chegamos enfim ao segundo andar, onde luzes da noite acenavam a saída do prédio. Na rua, bombeiros e ambulâncias; no hotel, remanescentes desesperados. Sorte dos que escaparam, incerteza quanto aos que lá permanecem.

PEREGRINAÇÃO PELA MADRUGADA | Felizmente nada de trágico aconteceu. Todos escaparam do fogo – que, como averiguamos mais tarde, nem era tão grave assim (o breve incêndio fora causado por um vazamento de gás no décimo quinto andar, e o fogo, felizmente, não atingiu maiores proporções). O hotel, no entanto, foi completamente tomado pela fumaça, de forma que os bombeiros se viram obrigados a interditar o local – que ótimo, com todos os nossos pertences lá dentro! (Sim, incluindo minha máquina fotográfica, pelo que amargamente lamento). Fomos todos, na calada da noite e sem mala nem cuia, redistribuídos por outros hotéis de Makati City. E somente na tarde seguinte retornaríamos para buscar nossas tralhas.

Nesse intermezzo, fizemos uma peregrinação pela madrugada, em busca de um hotel para nos acomodar. Primeira opção: Makati Palace Hotel. Uma grande roubada, visto que o prédio todo era impregnado com um insuportável fedor de cigarro (e assim tem sido desde os anos cinqüenta). Próxima tentativa: St Guilles Hotel. Aparência boa, mas infelizmente lotado. Em seguida, fomos ao Astor Hotel, logo na esquina abaixo. Nada mal a princípio, mas o quarto era pequeno demais para um refugiado do A. Venue – esse sim, aliás, é dos bons! Com setenta dólares se tem uma noite de rei (isto é, quando não há incêndios).

Vencido pela cruel circunstância, eis que declaro minha busca encerrada: o jeito é ficar nesse tal Astor mesmo. Acontece que um outro refugiado, malandro, fora mais rápido do que eu: ele reservara o último quarto disponível na ocasião. Meu destino final: uma péssima noite na espelunca anterior com fedor de cigarro.

O CENÁRIO DA TRAMA | Makati City é um bairro central de Manila. Está entre os principais destinos da capital, por abrigar uma vasta distribuição hoteleira. Além disso, é lá que se encontram os principais centros comerciais – como não há muito a se ver neste lugar tão cinzento, comprar acaba sendo o passatempo que resta aos turistas. Talvez por isso o bairro seja um dos mais chiques da região (não que isso signifique lá grande coisa, pois no geral a cidade é bem feia e sem graça).

Se você tiver um pouco de sorte, poucas serão as chances de seu hotel pegar fogo. Falando em fogo, fumaça, não dá pra deixar de lembrar que a capital filipina é uma fumaceira danada. O trânsito é dos piores; e o ar, dos mais insalubres. Trata-se de uma das cidades mais poluídas da Ásia! Manila pode não ser um destino imperdível, mas, com o velho e bom espírito de aventura, com certeza vale a jornada!

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