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Khao San

Curioso encontrar camisetas com os dizeres I love New York numa das ruas mais tradicionais de Bangkok. Na velha Khao San se encontra de tudo: de aromas e odores exóticos a tranqueiras e bugigangas turísticas. Sempre, é claro, respeitando a inexorável lei da barganha.

Todas as culturas do mundo se encontram nessa pequena viela. Como uma torre de Babel urbana, idiomas os mais diversos se mesclam num harmônico caos (quando o assunto é barganha, aliás, todas as línguas se entendem mutuamente).

A Khao San é o símbolo máximo de uma cultura que tem talento para o comércio. Desde os primórdios de sua história recente, pelos idos do século XIV, Bangkok é parte de uma rota estratégica para a circulação de bens e serviços. Sua geografia, agraciada com uma vasta extensão do principal rio tailandês, fez da cidade um dos locais mais cosmopolitas do sudeste asiático.

Motorista de túk-túk desfruta seus últimos instantes de calmaria ao final da tarde, antes da frenética agitação noturna da Khao San

Jack Sparrow também tem seu lugar aqui.

Transeuntes se tornam vultos em meio a tantas cores e cheiros

Longa exposição sob as luzes da Khao San

Tailandeses e tailandesas de todas as idades trabalham aqui, atendendo, todas as noites, a um interminável número de turistas e passantes locais

Na gastronomia da Khao San, nossos conceitos de higiene alimentar são, digamos, levemente abalados

Nunca foi tão fácil graduar-se pela Universidade de Birmingham! Ou, mais fácil ainda, tornar-se jornalista e fotógrafo da Associated Press

Do tradicional ao fajuto, tudo segue a inexorável lei da barganha

 

 

Ayutthaya II

Bem-vindo a Ayutthaya, antiga capital tailandesa. Cidadezinha pequena, amável e histórica. Ao chegar, fomos imediatamente abordados por um motorista de túk-túk que nos fez uma oferta irrecusável: por um valor quase irrisório, nos ofereceu um passeio guiado pela cidade; e o preço incluía a passagem de volta a Bangkok. “Ora, é fria!”, foi o primeiro pensamento que nos ocorreu. “É claro que o sujeito está só enrolando”. Afinal, por aquele valor mal se pagaria pela metade do que ele nos estava ofertando. Mas quer saber? Optamos por cair, voluntariamente, na lábia do cara. Tamanha surpresa quando a barganha se confirmou. Não só fizemos um agradável passeio pelas ruínas da cidade (o tiozinho era uma figura), como também, ao final do dia, fomos encaminhados a um simpático e confortável micro-ônibus, que de fato nos conduziria de volta a Bangkok. Algumas coisas, na Tailândia, são bizarramente baratas. Ficam aqui alguns registros da pequena jornada. Aos curiosos, a dica é pesquisar sobre a história e a geografia desse lugar tão interessante que é Ayutthaya.

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Ayutthaya I

Seis da manhã, rumo a Ayutthaya – antiga capital tailandesa. Mochila nas costas, câmera no pescoço e pé na estrada. Ou melhor, pé no trilho, já que dessa vez nós vamos de trem. Próxima à zona central de Bangkok, a estação Bangsue 2 parece ter parado no tempo. Se no centro urbano pujante seguimos o frenético ritmo do futuro, os ares desse lugar quase esquecido parecem nos levar ao passado.

Poucos viajantes conhecem essa estação – pois ela está longe da maioria dos manjados roteiros turísticos. Quem vem até aqui são os trabalhadores da periferia, alguns monges itinerantes e tailandeses despreocupados com a vida.

Nosso trem sai às nove. E, em pouco mais de uma hora, estaremos nas ruínas de Ayutthaya!

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Pussy Show

Chaawng sang waat

Fazer acrobacias vaginais com objetos cortantes, atirar dardos estourando balões, lançar bolas de ping-pong na direção da plateia, abrir garrafas, apagar velas e até mesmo fumar! São apenas algumas das façanhas que as garotas do Pussy Show realizam com suas intrépidas partes íntimas. É difícil acreditar no que os olhos vêem, diante de exímio talento na arte milenar e bizarra do pompoarismo.

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Sang khohm

Dia 22 de julho. Na calada da noite, resolvo ir até o Patpong – um lendário e polêmico bairro na zona central de Bangkok. Lendário pelos incríveis shows de moçoilas habilidosas; e polêmico por abrigar uma complexa trama de prostituição e turismo.

Por todos os cantos, velados nas sobras das pequenas vielas com pouca iluminação, espertalhões à espreita abordam forasteiros errantes, hábeis em convencê-los a entrar numa das tantas casas de show que cintilam no breu noturno. Munidos de um singelo cartão, que mais lembra um ‘cardápio’, estes malandros são pródigos em convencer o mais puritano dos homens a se aventurar pelos tortuosos caminhos do Patpong.

Pobre de mim – quem diria –, que em poucos instantes via-me ludibriado pela lábia certeira. Adentro um dos recintos! Após caminhar através da porta, sob um túnel de luzes-neon, subo a pequena escada – ironicamente ornada com temas budistas (aqui a fé também tem espaço). Já no segundo piso, sou enfim recebido pelas anfitriãs do espetáculo: orientais semi-nuas dispostas a qualquer serventia.

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Thaang phaeht

O palco é uma arena central, rodeado de mesas que acomodam turistas e curiosos. Jovens e velhos dividem espaço. E, é claro, casais – avidamente dispostos a um exótico swing. Há espelhos por todos os lados, de forma a garantir que nenhum ângulo fique fora do alcance da estarrecida plateia.

Eis que começa o show. No centro das atenções, bizarrices as mais variadas, cada qual com seu nome: ‘pussy shoot saloon’, ‘pussy shoot banana’, ‘pussy open the bottle’, ‘pussy rainbow’, ‘pussy magic flower’… Ao final de cada um dos incríveis truques, as estrelas da noite passam de mesa em mesa para coletar a merecida gorjeta. Beijinho aos que colaboram; cara feia aos que nada dão.

“Hora de sacar minha câmera!”, penso com discrição e cautela (pelos meandros do Patpong, fotografar não é uma atitude bem-vinda). Uma senhora de meia idade – que, como constatei adiante, era a dona do estabelecimento – olha-me torto quando percebe minha intenção. Ela dirige-se mim com um ar ameaçador; pede para que eu guarde o equipamento; e aponta aos avisos ‘NO PHOTO’ escancarados em cada parede. Não tive outra escolha, a não ser me conformar com o insucesso de não registrar as intrigantes performances.

Naai thua

Se tive azar com as fotos, tive sorte com a entrevista (é claro que eu não iria embora sem antes levar um papo com uma daquelas garotas). Troquei uma ideia com Nain (ou algo que soe parecido com isso). Ela acabara de executar suas peripécias no palco, quando a chamei para sentar-se ao meu lado. Como a maioria das tailandesas da casa, ela não falava inglês. Mas logo escalou uma amiga, que, solicitando um drink, prontificou-se a ser nossa intérprete.

Nain diz ter 23 anos – mas para ela eu dou no mínimo 35. Nasceu e cresceu em Bangkok, em uma família de imigrantes vietnamitas. Desde criança ajudava sua mãe, vendendo artesanato nas ruas, mas depois dos 18 iniciou-se na vida noturna do Patpong. Ela trabalha de terça a domingo, das oito da noite às duas da madrugada, revezando-se em três casas da região. Diz ganhar nove mil bahts por mês, o equivalente a uns trezentos dólares (o que eu duvido, pois o salário mínimo na maioria das províncias da Tailândia dificilmente passa dos cento e cinquenta dólares). Nain parece cansada, depois de uma noite de intenso trabalho. Ela tenta ser cordial, mas percebo que na verdade ela é tímida. Pele morena, olhos escuros amendoados, cabelos longos e negros com mechas loiras, num corpo oriental tipicamente delineado de aspecto frágil. Mora na periferia. Tem ensino primário, e nada mais pude descobrir sobre sua história – pois nossa tradutora fora chamada por outro cliente.

Clientes saem, clientes entram. Assim segue a noite, em uma das tantas casas do Patpong.

Gohn haawng

Já é tarde, hora de cair fora. Tamanha a surpresa ao me deparar com a conta: mil bahts (!), quando o preço combinado era cem. Velho e típico golpe. Espertezas à parte, é sem dúvida uma quantia injusta para quem consumiu só uma água. ‘Mas jamais discuta em território inimigo’, há de dizer um desses provérbios. Fato é que reclamei com a dona, que persistia em cobrar o valor absurdo. Cinco minutos de discussão. Consternado, dou minha insana e derradeira cartada: “Não pagarei! Vou chamar a polícia e o consulado de meu país!”, disse. É óbvio que um truque desses jamais poderia funcionar, mas quando ouço um “Ok, sir! You pay only one hundred”, vejo-me surpreendido pela eficiência de minha tática.

Do lado de fora, a vida segue seu rumo. E, dos transeuntes aleatórios, poucos imaginam que por dentro daquelas casas se escondem histórias de vida tão conturbadas. Para o visitante, é apenas lazer; mas para as verdadeiras vítimas, são dias de sofrimento e exploração.

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Kheun jai

Hoje é uma atração para curiosos. Mas o Patpong já foi, durante a Guerra do Vietnã, a diversão dos soldados ianques. No final da década de 1960, o local se tornou um reduto de lazer das tropas norte-americanas. É desta época que datam os primeiros shows de sexo explícito, que tinham o intuito de entreter os militares que combatiam no Vietnã.

Desde então o local vem ganhando fama. Pussy Show é o nome genérico dos inúmeros shows de pompoarismo que se escondem nas noites do Patpong – exibições estranhíssimas de garotas habilidosas vitimadas por um destino inclemente. Visitar um lugar como esse é uma aventura tão triste quanto marcante. Ficam memórias inquietas, experiências registradas em algum lugar entre o grotesco e o cultural.

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Bangkok: a “cidade dos anjos”

Difícil encontrar as palavras certas para descrever um lugar tão incrível como Bangkok. Exótica. Fascinante. Efervescente. Profunda. Moderna. Tradicional. Frenética. Educada. Certo, danem-se os adjetivos. A capital tailandesa é destino obrigatório para qualquer viajante que se preze.

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